desertificado, cansado
As pernas encontravam o ar com a pressa dos feriados.
Pessoas a olharem-se serenamente, entre barulhos e murmúrios, com os seus perfumes caros e requintados demais para o nariz humano. Tecidos de muitas cores, luzes agarradas. Um disparo no caminho para qualquer lado que os leve à morte, que os esqueça. Mesmo os enormes seios que respiram pelo decote. Do outro lado, uma bandelete a pontificar as finas pernas de ganga. Ou uma gravata empertigada que fuma muda e compulsivamente.
Daqui debaixo, no chão, nem o forte odor do café me demove os olhos do mundo. De onde também acabarei por me ir embora. Com os ratos.







2 lápis de cor:
Olhar atento. Transposto para palavras. Habilmente.
Abraço
Só hoje me demorei por aqui. Pela música e pelas palavras.
Porque às vezes estou sozinh(a). Numa multidão de vozes.
E também gostava de saber desenhar.
Por agora, apetece partilhar esse olhar do mundo, cansado...
Beijo*
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